Diabéticos podem e devem praticar exercícios físicos

Um dos pilares fundamentais no tratamento do diabetes é, sem dúvidas, a prática de exercícios físicos. Segundo o nutricionista e mestre em Educação Física, Guilherme Falcão Mendes, todo diabético pode e deve se exercitar, contanto que tenha uma aprovação médica para tal prática.

Segundo ele, os benefícios são muitos. Um deles é a melhora da capacidade cardiovascular e respiratória do paciente. Além disso, há um aumento do gasto energético, incluindo maior captação de açúcares do sangue por meio dos músculos trabalhados durante o exercício. Especificamente esse efeito ocorre desde o início do treino até 24 horas após o treino, dependendo de sua intensidade. “O diabético, assim como qualquer pessoa, pode obter ganho de força, equilíbrio, flexibilidade e outras habilidades corporais, ou seja, além de controlar a glicemia o praticante adquire habilidades funcionais que melhoram a qualidade de vida, algo que medicamentos não podem oferecer, além da maior sensibilidade à insulina”, explica ele.

Porém, o diabético deve ter alguns cuidados, principalmente no que se refere à hipoglicemia, que é a queda de açúcar no sangue. Esse é um risco para qualquer pessoa, sendo diabético ou não, mas nos pacientes diabéticos, principalmente em crianças com diabetes tipo 1, elas são mais acentuadas e os procedimentos a serem tomados devem ser emergenciais e eficazes. Segundo Guilherme, é fundamental para o controle glicêmico a correta interpretação do resultado do glicosímetro.  “Não é somente um número, como 200 mg/dl, mas avaliar e prever se a glicemia esta ascendente, descendente ou estável”, diz ele.  O nutricionista ainda dá um exemplo: quando a curva glicêmica está ascendente, é necessário a  ingestão de carboidratos, mas observe como é diferente o consumo de 20g de carboidratos provenientes de líquidos açucarados e 20g de carboidratos provenientes de amendoim ou castanhas. “O primeiro absorve aproximadamente em 15 minutos, e é eficaz para reverter quadros de hipoglicemia, e o segundo é extremamente rico em gordura, proteína e fibras, o que aumenta o tempo de digestão, retardando a liberação dos açúcares no sangue”, diz ele. O consumo dos dois obtém efeito de rápida elevação e sustentação da glicemia respectivamente.

Quando se faz exercícios, independente da modalidade, o que se deve prever é o volume e a intensidade desse treino. Essas duas variáveis vão influenciar no modo como o metabolismo vai captar a glicose, o que possivelmente vai alterar o esquema insulínico, quase sempre para menor uso, ou seja, há uma possível redução na dose de insulina para ajuste glicêmico pré-treino, devendo ser cauteloso, pois muda o tempo de ação da insulina (geralmente age com maior rapidez e intensidade quando se exercita), e pós-treino pode haver uma redução de até 2/3 da insulina ultrarrápida a ser aplicada na refeição seguinte, em alguns casos nem se aplica a insulina referente aos carboidratos, aplica-se somente o ajuste de glicemia e/ou a basal. Esses cuidados podem evitar a hipoglicemia noturna.

O ideal é que é que a prática de exercícios seja supervisionada por um educador físico, evitando assim possíveis lesões.  Além disso, o educador físico deve saber que o aluno é diabético, para sabe quais procedimentos adotar em um momento de socorro, já com ênfase nos sintomas clínicos mais comuns do diabetes. “Não só o professor deve saber, mas os amigos, colegas de trabalho e outras pessoas em comum, para que eles saibam como agir”, diz Guilherme.

Segundo a literatura científica, para os sujeitos diabéticos, tipo 1 e 2, sem doença cardiovascular, tem sido observado um melhor efeito no aumento na sensibilidade à insulina quando o exercício é feito pela manhã, entre às 6 e 8h, porém, o importante é praticar exercícios, seja em qual horário for. E todos eles fazem bem, desde que não haja uma contra indicação médica.  “Tem sido estudado que exercícios de força,  como musculação, combinados com treinos curtos e intensos de bicicleta, corrida, natação e outros exercícios cardiovasculares são extremamente eficazes no controle do diabetes quando praticados com regularidade”, diz Guilherme.

A alimentação deve mudar antes e depois do treino. De acordo com o nutricionista, geralmente se acrescenta até duas porções a mais de alimentos ricos em carboidratos e o ideal é dar preferência pelos integrais. Pode misturar com fontes de boas gorduras e proteínas. “Essa refeição mista evita hipoglicemias pós treino/ noturnas”, explica Guilherme.

 

Guilherme Falcão Mendes é nutricionista (UnB), Especialista em Nutrição Clínica (ASBRAN), Mestre em Educação Física, Nutrição e Saúde (UnB), Docente na Faculdade de Educação Física (UnB), membro do Doce Desafio desde 2005 e atualmente é professor no programa e Diretor do Instituto Doce Desafio.

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